domingo, 29 de abril de 2012

O Sonho


Era um ambiente branco. Um corredor branco. Em seu início, havia um conjunto de quatro cadeiras unidas, comum em escritórios. Nele, estava sentada a família. Ao lado, um bebedouro, daqueles que comportam um galão de vinte litros. Os amigos estavam a sua volta. Tinham um semblante apreensivo.

Passos são ouvidos no corredor. Chega uma mulher, alta e loura, usando um vestido branco, de botões na parte da frente, cujo comprimento ia até os joelhos, e um pequeno chapéu branco com uma cruz vermelha. Trazia um prancheta nos braços. Olhando para a família, diz:
- Compatibilidade perfeita, 100%.

Todos celebram aquele comunicado. Abraçam-se, agradecem. A mulher, então, diz o nome. Silêncio generalizado. Ninguém o reconhecera.

Ao final do corredor, ele, comemora sozinho. Punho erguido, soco no ar, como se tivesse marcado um gol. Finalmente ele entendera o propósito daquele encontro.

Ele caminha até a mulher e se apresenta. Todos o miram com um olhar de surpresa. Ninguém o conhecia. Ele pede para vê-la, para dar-lhe a boa notícia. A família concorda. A mulher o conduz até a sala onde ela se encontra.

Ele abre a porta e a vê. Ela está deitada em uma cama, vestindo um avental azul. Em sua mão esquerda, havia uma agulha, presa por um xis feito de esparadrapo, que a ligava a um frasco de soro. Havia, também, um tubo plástico transparente que entrava pela narina dela. Eles nunca tinham se visto antes. Ela se assustou com a visão de um desconhecido. Porém, acalmou-se logo ao ouvir palavras tão conhecidas, por ele proferidas:
- Lindinha, cheguei. Vim trazer sua medula nova.

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