Era um ambiente branco. Um
corredor branco. Em seu início, havia um conjunto de quatro cadeiras unidas,
comum em
escritórios. Nele, estava sentada a família. Ao lado, um
bebedouro, daqueles que comportam um galão de vinte litros. Os amigos estavam a
sua volta. Tinham um semblante apreensivo.
Passos são ouvidos no corredor.
Chega uma mulher, alta e loura, usando um vestido branco, de botões na parte da
frente, cujo comprimento ia até os joelhos, e um pequeno chapéu branco com uma
cruz vermelha. Trazia um prancheta nos braços. Olhando para a família, diz:
- Compatibilidade perfeita, 100%.
Todos celebram aquele comunicado.
Abraçam-se, agradecem. A mulher, então, diz o nome. Silêncio generalizado.
Ninguém o reconhecera.
Ao final do corredor, ele,
comemora sozinho. Punho erguido, soco no ar, como se tivesse marcado um gol. Finalmente
ele entendera o propósito daquele encontro.
Ele caminha até a mulher e se
apresenta. Todos o miram com um olhar de surpresa. Ninguém o conhecia. Ele pede
para vê-la, para dar-lhe a boa notícia. A família concorda. A mulher o conduz
até a sala onde ela se encontra.
Ele abre a porta e a vê. Ela está
deitada em uma cama, vestindo um avental azul. Em sua mão esquerda, havia uma
agulha, presa por um xis feito de esparadrapo, que a ligava a um frasco de
soro. Havia, também, um tubo plástico transparente que entrava pela narina
dela. Eles nunca tinham se visto antes. Ela se assustou com a visão de um
desconhecido. Porém, acalmou-se logo ao ouvir palavras tão conhecidas, por ele
proferidas:
- Lindinha, cheguei. Vim trazer
sua medula nova.
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